quarta-feira, 11 de novembro de 2009

### 000

eu falo um português vulgar
quase sujo
como as ondas desse mar
que um dia foi de iracema
de rosas já não há botões
de olhos arregalados
cassiopéia assiste ao morticínio
dos pequenos camarões


geraldo urano

maconha & justiça no país de gardel

Enquanto o Brasil sonha com a sétima copa do mundo, a Argentina despenaliza a maconha e leva os torturadores ao banco dos réus. Quando eu nasci – em maio de 1977... –a dita dura tupiniquim, pressionada por amplos setores da sociedade, tramava a abertura e o esquecimento. 32 anos depois – apesar de Tarso Genro & de todas as madres que perderam seus hijos – parece que o bagulho deu certo. Henfil não está mais aqui e os verdes-olivas permanecem impunes. Os arquivos permanecem fechados e os documentos são queimados nos porões. Como registrou Tatiana Merlino, em reportagem da revista Caros Amigos, de todos os países da América Latina que passaram por ditaduras militares, o Brasil é o mais atrasado no que se refere ao resgate da memória e responsabilização dos crimes cometidos por agentes do Estado. O período pós-64 virou sombra, fantasma e silêncio. Os abusos cometidos cotidianamente por nossos homens da segurança pública – nas ruas, nas favelas, nas delegacias – são a herança mais cruel e perversa daquele tempo de glórias e milagres nacionais. A impunidade da memória e o ocultamento de nossa história recente interessam a muita gente, afinal de contas, as velhas raposas continuam no poder e o senado da república virou o chiqueiro do dono do maranhão. No Brasil pode tudo, só não pode fumar maconha. A argentina – de Sarmiento, Borges e Sábato – deu dois passos em direção a um futuro menos sórdido. Levou três gols e corre sério risco de acabar enfrentando a Austrália na repescagem. E nós seguimos: esperando a copa da África (o dia do juízo final), anistiando torturadores e punindo usuários de vegetais.

nuno g.

green go: bases militares na locômbia & golpe em honduras

Uribe pode fazer plebiscito para se reeleger, Zelaya não. Os yankes querem mais bases militares na América do sul – Walt Whitman desabaria de vergonha. Quem paga o preço da orgia é sempre a periferia, a ressaca é nossa. Sai Bush entra Obama e a política do império continua a mesma: o velho novo ovo de sempre. Gentileza gera gentileza, violência gera violência. Colombo achou que estava no paraíso, os tataranetos dos pioneiros querem transformar num inferno – Allen Ginsberg desabaria de vergonha. Todo mundo desaprova – ONU, OEA, Comunidade Européia, Escambau a Quatro, etc etc etc – mas ninguém faz nada. O big stick – fale macio com um porrete na mão – está na moda de novo. A bola da vez é a água da Amazônia, os lagos da Patagônia, o sangue da Colômbia. Seremos o novo Vietnã? Depois do Iraque e do Afeganistão – é bom ter cuidado Álvaro Uribe! Saddam Hussein e os talibãs um dia foram fiéis aliados. Numa rua de Letícia se encontra a seguinte pichação no muro: mate um soldado americano por dia – Jack Kerouac desabaria de vergonha. O terror gera terror, faça amor não faça guerra. Em tempos de crise, quem paga os pecados são os patos dos trópicos. E a dúvida continua: quem é mesmo que financia a guerrilha e o narcotráfico – os bodes respiratórios desta guerra suja??? Quem?

nuno g.

Germinal, sob a ótica de um rato latino-americano

A história em Germinal:

Venho por meio destas singelas palavras digitadas, entre o intervalo do pensar, rememorar e escrever, apresentar-lhes o livro Germinal de Émile Zola . A narrativa naturalista, realista e impressionista retratada em tal romance, permite ao leitor visualizar o cenário e emocionar-se com o cotidiano de alguns mineiros do final do século XIX no interior da França.
Positivista e determinista, Émile Zola compartilha com a ideia do homem como fruto do meio ambiente social em que pertence. A leitura do romance Germinal nos permite perceber estes traços do autor, pois a narrativa é embebida de tais ideias. O romance aqui apresentado sob um olhar, acorda para outros olhares para além de sua qualidade literária: a história. Germinal é um testemunho histórico no mínimo por algumas pequenas razões: publicado em 1881 o livro representa uma determinada visão contemporânea da França após um século da Revolução. Socialista, Zola compartilha com o socialismo do utopista Saint-Simon, onde este defende que a filosofia é conseqüência e não causa do desenvolvimento social .
A realidade histórica narrada no romance configura uma época após duas Revoluções que mudaram drasticamente o mundo ocidental: A Revolução Industrial na Inglaterra e a Revolução Francesa. A leitura do romance com um conhecimento histórico nos permite entender os porquês das revoluções e quais foram suas conseqüências.
A industrialização crescente; a revolução técnica-científica; o desenvolvimento das máquinas e da produção; a economia da produção e da mão-de-obra; o desenvolvimento nos meios de transporte e comunicação etc. faz com que o mercado se expande: o oriente e principalmente o ‘Novo Mundo’, as Américas, tornam-se o alvo da maior parte da nação européia. O ‘Novo Mundo’ ainda representa a esperança, a promessa do ouro e da terra prometida.
Germinal retrata a França após a derrocada da revolução de 1789. Zola abarca os conflitos sociais entre a nova burguesia e os operários, confrontados sob os ideais liberais e socialistas. Nas mentes de alguns operários revoltosos espaira as ideias de Karl Marx. Germinal narra à história de alguns homens. Estes inseridos numa França em crises econômicas, morais e ideais.
Cada qual luta por uma nova França: socialista, liberal ou libertária. Camponeses, burgueses e operários. Todos em busca de uma nova ordem para garantir a moral, para suprir suas necessidades e satisfazer seus interesses e desejos.
O capitalismo consolida-se de tal forma que a diferença entre o rico e o pobre alarga-se. A realidade é cada vez mais distante da realidade vendida pelo capitalismo. A exploração, opressão e repressão do rico para com o pobre vira um conflito e cria um campo minado.
A Revolução Francesa e Industrial foi um triunfo para o capitalismo. Com ela a estrutura aristocrata e feudal quebrara. O sistema feudal propiciou um excedente de produção e este contribuiu para o crescimento da produtividade do trabalho. Os modos de produção e de trabalho ganham uma nova configuração: este excedente produzido pelo servo para o senhor é usado como intercâmbio/troca de produtos. Esta lógica relacionada à produção e a economia levará os homens a desenvolverem novas máquinas que irão direcionar mais objetivamente a produção. Daí, a divisão do trabalho: produzir mais. Esta nova divisão do trabalho paralelo ao desenvolvimento técnico-científico, separando o trabalhador do seu meio de produção e fortalecendo as trocas de produtos, irão configurar o capitalismo e a classe operária moderna. Portanto, “foi o desenvolvimento das condições econômicas do capitalismo” que possibilitou a Revolução Técnico-científica .
Desprovidos de meios de produção, os camponeses são obrigados a venderem sua força de trabalho em troca de um salário modesto. A força de trabalho, nesta nova lógica do mundo do trabalho, passa a ser mais uma mercadoria.
O próprio sistema capitalista gerou a luta entre trabalhadores e a burguesia. Uma vez que a Revolução Francesa e a Revolução Industrial esqueceram de uma considerável parcela da sociedade de seus projetos revolucionários. Os proletariados ficaram desprovidos de seus meios de produção, a tríplice aliança tão aclamada pela Revolução Francesa, Liberdade, igualdade e fraternidade, ficou apenas como um desejo, uma ilusão. O direito de comprar, de ter, era limitado a um “ter” mínimo para sobreviver e poder continuar a sustentar os cofres dos burgueses-capitalistas com sua força de trabalho. O corpo era o seu único meio de produção agora.
Assim Zola desenha uma França real e dramática. A partir de uma família que trabalha nas minas, os Maheu, Zola nos acorda para a realidade dos mineiros franceses do final do século XIX: a fome prolongada, as mortes nem tão esporádicas, sob os escombros, na escuridão, que ora é gelado que dói, ora quente que queima. Um labirinto onde todos se perdem na obscuridade, entre mortos e feridos, entre esfomeados e desesperados, e mesmos incomodados, acomodados. À espera de um salvador. Cristo virá salvar-lhes da miséria aguda e tão intrínseca às suas peles rugadas, queimadas e ressecadas de tanto ressentimentos.
O álcool barato atiçam-lhe uma alegria verdadeira. O sexo paira entre promiscuidade e naturalidade. Um momento para aliviar tensões. O jogo para distrair-lhes da dura realidade. É dia de folga. É dia de extravasar e vestir seu melhor farrapo. Um relógio invisível incucam-lhes na mente lembrando-lhes o pouco tempo de folga. As minas os esperam ansiosos para lhes espremerem entre bombas.
Há tempos vivem assim. Há um século os Maheu sobrevivem teimosamente. Esse fétido cenário vem germinando uma revolta tímida que de súbito pode vir a arrebentar. As condições objetivas estão dadas: a intensa jornada de trabalho, mais de 14 horas por dia, as condições sub-humanas que não ofereciam nenhuma segurança a saúde do operário, as constantes mortes e acidentes principalmente de crianças, o irrisório salário que recebiam em troca e que não supriam as suas necessidades básicas, foi causando uma revolta entre os trabalhadores, que começaram a perceber o quanto estavam sendo explorados pelos patrões e por este novo sistema capitalista-burguês que prometera uma qualidade de vida melhor.
Os mais velhos narram aos mais novos às experiências nas minas, nas greves. Esse passado narrado parece não ter muita diferença do presente vivido. Suportar a tais condições sub-humanas os encurvaram e os enferrujaram. De geração para geração. As corcundas, ferrugens e fuligens passaram a ser herança genética. Crianças, homens e mulheres, velhos e enfermos, compartilham a escassa dignidade que lhe restam junto com os farelos de pães duros sobre a mesa rodeada de moscas.
Não têm comida suficiente. Têm apenas um resquício de comida para enganar o próprio estômago e fazer calar o ronco. Engolem uma rala comida que fora vendida a duras prestações. Estão presos na armadilha do sistema. Humilhados e maltratados, famintos e sujos, lutam para engrandecer as gorduras dos burgueses. Em troca, ficam a pele e osso por alguns soldos.
Suas faces escondidas sob o carvão assustam as madames burguesas. O cheiro dessa gente perturba o frescor suave de seus perfumes. Diante dos patrões o silêncio é ensurdecedor. As angústias travam na garganta causando-lhes engasgos. As palavras por muitas vezes engolidas e engasgadas, alimentam suas gastrites. As dores da fome e da inconsciência os enfraquecem.
O estrangeiro chega para trazer as boas novas. Não foi difícil incitar os mineiros a revolta, ela já estava germinada, ele apenas regara. Chama-se Ettiene. Mecânico, como muitos, desempregado. Acaba submetendo-se a trabalhar na mina. O pouco contato com sindicatos que tivera e com a literatura panfletária, faz com que logo se incomode com as péssimas condições de trabalho. A sua vontade de saber o fazia devorar textos escritos por sindicalistas, anarquistas e socialistas. Ettiene sabia que era preciso ter conhecimento para fazer alguma mudança na sociedade.
Como um Cristo, Ettiene traz a promessa da salvação. Conduz os fiéis mineiros numa greve que irá sacrificar não só os patrões, mas principalmente a eles próprios. Sem trabalho e sem salário a miséria é gritante e desesperadora. Crédulos numa vitória promissora, que irá melhorar a realidade dos mineiros, encontram e juntam forças para resistirem à fome absurda. Todo esse quadro, onde o trabalhador é intensamente explorado pelo capitalismo, os levam a se organizarem. Criam o fundo de greve, uma espécie de caixa onde cada trabalhador dá uma pequena quantia, para em casos de necessidades terem um fundo de reserva monetário. Esse mecanismo acabou por permitir várias ações, principalmente greves, onde os proletariados buscavam mudar sua situação.
A sede de vingança é muita. Há muito engolem apenas Genebra. Enfurecidos, com os olhos amarelados de noites mal dormidas, com o hálito forte, com a magreza de suas peles rasgando-lhes o próprio corpo, que era alguma coisa de carne e osso, marcham em punhos fechados, dentes cerrados, passos firmes, a voz saindo-lhes da consciência fazendo-os gritar por e para todos, a revolução virá nem que seja a força. Assim, como a força, as filhas dos mineiros foram obrigadas a venderem o próprio corpo para comprarem fiado algum pão, café, açúcar e batata na venda do Seu Maigrart. Assim, como a força, foram obrigados a trabalhar em condições sub-humanas, arriscando-lhes a vida por um salário que não garantiria os seus direitos prescritos nos Direitos Humanos.
Esses miseráveis proletariados-mineiros também queriam sua parte da Revolução. E como Marx e Engels abriram o Manifesto Comunista, os mineiros gritaram: “proletários de todo o mundo, uni-vos”! Com sangue e fome guerrearam contra o próprio povo que recusavam a participar da revolta (uns por não concordarem, outros por medo, outros por não entenderem e outros por serem ameaçados pelos patrões), contra os burgueses e patrões. Destruíram as minas. A revolta crescia dando espaço para a loucura e a tragédia. A desordem. O caos.
Por fim, Zola é brilhante ao narrar uma história tão particular da vila dos mineiros, combina a sua primorosa qualidade literária e de escrita com uma história tão imbricada de valores, concepções, guerra e paz, osso e esquecimento, sangue e revolta.
No dia seguinte, a ordem retorna mais imperativa. Porém, ninguém era mais o mesmo. As coisas não eram mais as mesmas. Para alguns, a vaidade vencera, outros, a tragédia e a subserviência. E assim termina a história, uma história que continua.

Rato.

Notas e Referências Bibliográficas:

ZOLA, Émile. Germinal. Editora: Abril Cultural, São Paulo, 1981.
COGGIOLA, Osvaldo. In: Movimento e pensamento operário antes de Marx. Editora Brasiliense. São Paulo, 1991. pp.7-66
COGGIOLA, Osvaldo. In: Movimento e pensamento operário antes de Marx. Editora Brasiliense. São Paulo, 1991. pp.7-66

PEDAGOGIA DE UM PERU PROFUNDO,

ENTREVISTA A SIGFREDO CHIROQUE CHUNGA
via i1/2.



I. O que é o Instituto de Pedagogia Popular do Peru?

Formalmente es una Organización No Gubernamental de Desarrollo (ONGD). Realmente es un colectivo de personas de diversas profesiones que pugnan por el cambio del modelo de sociedad, desde la práctica educativa. Asumimos la Pedagogía Crítica Revolucionaria.

II. Fale um pouco sobre as políticas de Estado, no Peru, em relação à educação e cultura.

En el Perú, el Estado está en manos de los neoliberales, encabezados por Alan García del APRA. Asumen el modelo exportador primario y, por ello, han dado todas las facilidades para la explotación de nuestros recursos a la inversión privada, sin un enfoque estratégico de país.

Dentro de este marco, está creciendo la privatización de la educación (no tanto en relación a la “propiedad”, sino a la “gestión”). El derecho a la educación no se cumple ni en términos de cobertura (cantidad), ni mucho menos en cuanto a calidad, pertinencia y equidad. Para las grandes mayorías, la educación se reduce a “aprendizajes básicos” y éstos se orientan a formar mano de obra barata y al control social.

El desarrollo cultural es mínimo. Las expresiones culturales propias o se les reduce a simples objetos de mercancía turística, o son motivo de exclusión. Sin embargo, desde el movimiento social, hay un importante proceso de afianzamiento de la cultura autóctona del país. En la Amazonía peruana, la población indígena realizó de marzo a julio del presente año un levantamiento en defensa de su territorio y de su cultura. La respuesta gubernamental fue armada, sin embargo, los pueblos amazónicos obtuvieron una victoria –por lo menos- formal. El desarrollo de la interculturalidad también germina con sangre.

III. O que se poderia fazer, desde o lugar de profissional que cada um ocupa, para que os povos da América do sul tenham mais informação sobre a cultura peruana, já que, seja no Brasil ou aqui na Argentina, não se escuta falar muito do que acontece no Peru a nível cultural.

El Perú es un país pluricultural. Por ello, hay manifestaciones culturales diversas: de los mestizos (costeños), de las élites urbanas, de la población indígena quechua, de la población indígena aymara, de la población indígena amazónica y de minorías afroperuanas. Ni aún en el Perú, hay plenitud de conocimiento de la variedad cultural. El gran escritor José María Arguedas soñaba en un Perú de “todas las sangres”.

En un marco neoliberal, las relaciones culturales se han mercantilizado. Por ello, importa generar canales externos al modelo, para que pueda existir una interacción entre nuestros pueblos, también en el campo cultural. En esta perspectiva, se podrían organizar como que redes o colectivos en diversas ramas: danza, canto, literatura, dibujo, teatro, etc. A partir de estos colectivos, se podría avanzar hacia grandes eventos de interculturalidad de nuestros pueblos.

IV. Na minha maneira de ver a educação, o professor não passa de um policial, o primeiro policial que o estado envia, no sentido de manipular a cabeça do individuo, de mantê-lo dominado. Como o senhor ver essa afirmação?

La educación es interacción de sujetos, de personas. Esta interacción se da dentro de un sistema educativo acorde al modelo de sociedad. Los grupos dominantes imponen el tipo de educación que necesitan. Los profesores –sin mayor conciencia- pasan de hecho a comportarse como “maestros-gendarmes” del sistema. Pero también hay docentes que toman conciencia y se organizan como “maestros-pueblo”. Estos son minoría, pero lo son. En el Perú, los “maestros-pueblo” estamos avanzando dentro de un “Movimiento Pedagógico Popular” (MPP), como germen e instrumentos de un nuevo tipo de sociedad posible.

V. Se a América Latina se tornasse uma só nação y usted fosse o escolhido para coordenar as ações no campo da educação, qual seriam suas três primeiras decisões?

Lo primero que haría es buscar desarrollar un “Movimiento Pedagógico Popular Latinoamericano” (MPPL), para hacer irreversible el cambio.

Simultáneamente diseñaría conjuntamente con el MPPL una Propuesta Educativa Continental de Cambio, teniendo como ejes: la diversidad cultural y la necesidad de formar personas creativas y críticas para un desarrollo autónomo y estratégico de la Patria Grande.

Tendría que brindar recursos económicos suficientes (digamos no menos del 6% del PIB) para que se efectivice un gran movimiento de reforma educativa, teniendo sujetos de cambio y propuestas de cambio.

Esta utopía será posible si seguimos forjando –desde ahora y usando aunque sea medios virtuales- las propuestas del cambio revolucionario y los sujetos colectivos del cambio revolucionario.


SIGFREDO CHIROQUE CHUNGA é pedagogo y peruano.

As perguntas desta entrevista foram elaboradas por michele fonteles, ronaldo braga, fabio joly e nuno g.

2 DISSIDENTES: TeleSUR, 09/09/2009

*Josh Simpson, 27 años, fue Sargento de la División de Contrainteligencia del Ejército de los EEUU. Estuvo a cargo de los interrogatorios en Mosul, Irak desde 2004-2005. Sus acciones resultaron indirectamente en la muerte de cientos de iraquíes. Hoy en día, Josh es el presidente del Capítulo de Fort Lewis de Veteranos de Irak Contra la Guerra y es co-fundador de "Café Fuerte", un café para los soldados del Fuerte Lewis que pretende movilizar a los soldados contra la guerra. Josh obtuvo su Licenciatura en Economía Política en la Universidad de Evergreen en 2008 y está llevando a cabo una Maestría en Docencia de la misma institución. Habla por todos los EEUU contra la guerra y el imperialismo y es altamente activo en el bloqueo de los envíos militares que salen de los EEUU como una forma de resistencia a la acción directa de la guerra.

* Benji Lewis, 24 años, es un ex soldado de Infantería de Marina que hizo dos turnos en Irak, ambos a Faluya de 2004 a 2005. Sus morteros M-16 mataron a más de 500 personas en Faluya durante un período de tres meses. Hoy en día, Benji es un abierto opositor a la guerra, activista contra el Imperio en Oregon. Él es un miembro de Veteranos de Irak Contra la Guerra y Corage de Resistir. Habla por todos los EEUU contra la guerra y organiza a los soldados para resistirse a su despliegue en Irak y Afganistán. Benji está estudiando Literatura Inglesa y Filosofía en Lynn-Benton Community College en Corvallis, Oregon y tiene planes de aprender español.

Esta entrevista se realizó durante su primera visita a Venezuela como parte de la delegación anti-guerra, pro-paz de la Coalición de Solidaridad Portland de América Latina.

Eva Golinger (EG): ¿Por qué se unieron a las fuerzas armadas en los EEUU?

Josh: Yo estaba interesado en la historia, en un sentido patriótico, la Segunda Guerra Mundial, Vietnam.

EG: ¿Una visión romántica?

Josh: Sí, incluso Vietnam, yo pensé que era algo de una vez. No sabía de participación de la CIA en Latinoamérica - eso es común, la mayoría de las personas en los EEUU no saben esas cosas, especialmente cuando tienes 17. También terminé uniéndome al ejército por razones económicas. Me inscribí en julio de 2001 y estuve en entrenamiento básico cuando ocurrió el 11 de septiembre, y todo cambió.

EG: ¿Qué pensaste?

Josh: Estaba nervioso pero emocionado. Me había inscrito en las fuerzas armadas justo cuando algo grande en la historia estaba sucediendo. Yo no entendía por qué el 11/09 había pasado, por qué fuimos atacados. Supongo que la gente sólo nos odiaban por ser americanos. Si tenía que ir a la guerra para defender a mi país estaba totalmente preparado para hacerlo. No terminé yendo a Afganistán porque estaba en la brigada de segundo ataque, así que cuando terminé de ir a Irak ya estaba en contra de la guerra. Hoy creo que todas las guerras son imperialistas, pero en ese entonces aún cuando no apoyaba la guerra, había decido ir porque tenía que ir y no sabía que habían personas que se resistían.

EG: ¿Te refieres a los soldados resistiendo o a las personas contra la guerra?

Josh: Yo no sabía que había un movimiento anti-guerra. Yo estaba en el desierto de California en una base militar, y en el ejército, nunca supimos que en los EEUU había una oposición enorme a la guerra, los medios de comunicación no la cubrieron. Creo que hubo errores tácticos cometidos en los EEUU por el movimiento contra la guerra, si la gente hubiese detenido los envíos militares en lugar de sólo marchar en las calles, si la gente hubiese bloqueado las vías del ferrocarril y los puertos, esta guerra no habría empezado.

EG: Benji, cuando y porqué te inscribiste en las fuerzas armadas de EEUU?

Benji: Vengo de una familia de militares. Me sentí alentado por mi madre y mi padre a inscribirme. Me uní al ejército para ayudar a la gente. Entré la Infantería de Marina en marzo de 2003. Tenía 17 años y medio. Una vez que me inscribí me di cuenta de que era una mala idea y pensé: ¿qué he hecho?

EG: ¿Cuando comenzó la guerra?

Benji: Cuando estaba en bootcamp, la invasión estaba sucediendo, veíamos video clips de la guerra con música heavy metal (rock pesado). Antes de cada clase en bootcamp se mostraba videos de personas recibiendo disparos, muertos, con música heavy metal. Luego cuando invadíamos a Faluya, las unidades de operaciones psicológicas no estaban señalando a la población de Faluya, estaban apuntando a nosotros mismos, tocando la misma música, como lo hicieron en bootcamp. Quedó claro para mí que el adoctrinamiento militar es mucho más profundo de lo que parece ser en la superficie.

EG: Josh, ¿Cuándo fuiste a Irak,?

Josh: Septiembre 2004-septiembre 2005.

EG: ¿Qué pensaste cuando ibas allí?

Josh: Yo estaba en contra de la guerra, pero al mismo tiempo imaginaba que ya la habíamos comenzado, así que debíamos llevarla a cabo y ayudar a reconstruir al país. Era difícil pensar al respecto. Yo estaba a cargo de los interrogatorios en Irak. Yo estaba en Mosul, Irak. En Irak, el 95% de las personas detenidas e interrogadas eran inocentes. Los interrogatorios agitaban a la población en tu contra. ¡Si ellos no eran terroristas o insurgentes cuando eran detenidos, lo serían después! La razón por la cual el 95% son inocentes y que sigan detenidos se debe a la forma de medir el éxito en Irak, al contrario que en Vietnam, donde fue un recuento de cadáveres, se basa en el número de detenidos. No importa si son mujeres o niños o inocentes. No participé en la tortura física ni en golpear a los detenidos. Pero participé en la tortura psicológica.

EG: ¿Pero sabías que la tortura ocurrió?

JS: Vi a las víctimas de la tortura. Los morados y golpes por todo el cuerpo venían de algún lugar. Enviaríamos a los detenidos al ejército iraquí que estaba trabajando con nosotros y ellos ejecutarían las torturas por nosotros.

EG: Benji, ¿Tú estabas en Faluya durante el escándalo de Blackwater?

Benji: Inmediatamente después. Fui enviado a Faluya y la emoción fue porque era justo después del escándalo de Blackwater y estábamos en una misión de venganza. Nadie nos dijo lo que había sucedido, salvo que los ciudadanos de EEUU habían sido asesinados por la insurgencia iraquí en Faluya. Así que estaba emocionado porque iba a ser en una unidad de morteros y sería capaz de hacer lo que estaba entrenado para hacer, íbamos a utilizar nuestros morteros. Pensamos que íbamos a Faluya para neutralizar una insurrección, pero no nos dijeron que toda la ciudad ya había sido bombardeada por los EEUU durante una semana y que un tercio de la población ya había sido desplazada o asesinada. No lo sabía. Se nos decía que esto era una misión de venganza, no sabíamos que los que habían muerto eran mercenarios de Blackwater, nos dijeron que eran ciudadanos de los EEUU. Varios batallones de infantería de marina se desplegaron sobre la ciudad desde cada ángulo. La ciudad estaba sitiada. Había miles de nosotros para asaltar a esta ciudad. Los rodeamos y cortamos la electricidad y el agua, bombardeamos incluso las mezquitas.

EG: ¿El ejército no les daba a los soldados algún tipo de información?

Benji: Ganar a los corazones y mentes, es una doble retórica. Tienes que controlar primero los corazones y las mentes de las tropas para cometer esas atrocidades antes de enviarlos a la guerra. Tienes que mentirles, de otra manera no se puede luchar este tipo de guerras.

EG: ¿Cómo perciben la resistencia del pueblo Iraquí?

Josh: Ellos eran terroristas, radicales, fundamentalistas islámicos, no personas que luchan por su país, eso es lo que nos dijeron.

Benji: El adoctrinamiento militar es tan sofisticado - inclusive eres aislado de los miembros de su propio batallón, no se puede hacer preguntas, lo único que importa es protegerte a ti y a tu batallón. No hay política. Lo primero que se aprende es no cuestionar, guardar tus pensamientos para ti mismo.

EG: ¿No sabías que era una guerra por el petróleo?

Benji: La única razón por la que estas allí es para proteger a la persona que está a tu izquierda y a tu derecha. Todo el mundo sabía sobre el petróleo, pero tu única misión es permanecer con vida y mantener a tus amigos con vida.

Josh: Crees que estás ayudando a los iraquíes. Eso es lo que te dicen.

EG: ¿Por qué dejaste el ejército?

Josh: Estuve de servicio activo durante 5 años, entonces me inscribí por otros 3 años como reservista. Yo no quería volver a Irak. Me dijeron que si uno se inscribía en la reserva se podía obtener un buen bono y no te desplegarían durante dos años. Fui ingenuo al pensar que la guerra en Irak habría terminado en dos años.

EG: ¿Por qué inscribirse en la reserva y entrenar personas para ir a la guerra en Irak si estabas en contra de la guerra?

Josh: Lo justificaba pensando que las mantenía a salvo entrenándolas bien. Tenían que ir de todas formas. Pero llegó un momento en que no podía mirarme más en el espejo, estaba disgustado conmigo mismo. Básicamente estaba atrapado en un dilema moral. Quiero estar orgulloso de mis actos, orgulloso de lo que estoy haciendo, pero, honestamente, no lo estaba. Comencé la universidad al mismo tiempo. Estudiaba economía política en la Universidad de Evergreen, aprendiendo sobre el imperialismo de los EE.UU.

EG: ¿La gente en tu clase sabía que estabas en el ejército? ¿Qué te dijeron?

Josh: Sí, pero la gente sabía que me oponía a la guerra.

Benji: La campaña de "apoyo a las tropas" había cambiado la percepción de todos. La campaña fue diseñada para permitir la aceptación indirecta de la guerra.

Josh: La gente tiene miedo de criticar a las tropas, se considera la blasfemia más grande del mundo. Al mismo tiempo, si nunca te critican, nunca sabrás que lo que estás haciendo está mal.
Pero tienes que criticarlos, porque ellos dicen que simplemente están siguiendo órdenes, pero esas son pendejadas, los nazis también estaban cumpliendo órdenes. La enseñanza militar de EEUU es fascista, es básicamente ciego, obediencia incondicional. Luego tratan de decir que la obediencia ciega es una forma de coraje y valentía. Es mucho más fácil ir con la corriente que en su contra. Mientras estaba en Evergreen aprendí algo diferente a lo que me dijeron en el ejército. Llegué al punto en que moralmente no podía solamente oponerme a la guerra, tampoco podía estar en las fuerzas armadas entrenando a los soldados para ir a matar a otras personas en una guerra racista. Me dijeron que en enero de 2008 iba a ser desplegado en Irak y decidí que no iba a volver. Ya estaba hablando en contra de la guerra y estaba construyendo barricadas en las calles de Olimpia para bloquear los envíos de equipos militares por los puertos de los EEUU a Irak, y por primera vez sentí que estaba luchando por algo en lo que yo realmente creía. Me hace llorar pensar en esto. Estuve en el ejército por cinco años y nunca tuve la oportunidad de luchar por algo que yo creyera. El hecho de que finalmente estuviera luchando por algo en lo que yo creía, en contra de la guerra, fue una gran sensación. Me uní al grupo Veteranos de Irak Contra la Guerra y otros grupos de resistencia contra la guerra. Ayudé a crear la "GI coffee house", "Coffee Strong" para los militares del Fuerte Lewis, para servirles café e intentar organizarles en contra de la guerra.

EG: Benji, ¿por qué dejaste el ejército?

Benji: Después de mi primera gira en Irak estaba desilusionado y después de mi segundo despliegue era evidente. Nos referimos a nosotros mismos como ocupantes. Cuando volví de la segunda gira yo estaba convencido de que no iba a volver a Irak. Me ofrecí para ser un instructor de combate urbano. Entrené varios batallones de combate urbano y uno de mis equipos terminó en Haditha, masacrando a cientos de inocentes iraquíes en un ejercicio de 3 días. Eso está en mi conciencia y es muy triste. La gente en la Infantería de Marina se mete cocaína antes de los ejercicios de la mañana, la situación está grave. Después de un año, decidí que no quería volver a Irak. No tenía idea de que hubiera un movimiento de resistencia. Al salir, quieres dejar todo detrás de ti. No quieres pensar en ello, no quieres recordarlo, sólo quieres llevar una vida pequeña y tranquila.

Benji: Me mudé a Oregon y me reuní con la gente de Veteranos por la Paz. Me enteré de que no tienes que volver, puedes resistir. Me uní a Coraje para Resistir y empecé a ampliar mi trabajo y a hablar contra las guerras en Afganistán e Irak.

EG: ¿Por qué vinieron a Venezuela?

Benji: América del Sur está en condiciones de resistir el colapso económico en los EEUU. También tenemos planes para crear una red de seguridad para los amigos y personas en los EEUU en caso de que los EEUU se convierta en un estado policial más grande. Si hay una guerra más grande por venir en el planeta la gente tiene que elegir un lado y este es el lado en el que quiero estar.

JS: Venezuela es el único lugar en el mundo donde hay optimismo. Este país se está moviendo en la dirección correcta. En Venezuela se está haciendo una gran cantidad de trabajo.

EG: ¿Qué le dirías al pueblo venezolano acerca de la presencia militar de EEUU en Colombia?

JS: Que estén preparados. Las milicias populares son el medio más eficaz para disuadir a los EEUU, está funcionando en Irak y Afganistán. Las personas con fusiles pueden mantenerse para siempre. No van a ser capaces de derrotar a los militares de EEUU con tanques y aviones, porque ellos tienen más que todos los países del mundo combinados. Estén a la altura de la creencia, ¡Socialismo o Muerte! El capitalismo está en un estado de deterioro importante y va a reaccionar con violencia. Sin embargo tenemos que luchar de cualquier manera. Si Venezuela es atacada, y hay una brigada Abraham Lincoln para defender a Venezuela, yo vendría aquí en un latido.

Benji: Para mí es obvio que los EE.UU. están abriendo fuego contra Latinoamerica. Latinoamerica es una gran recurso para los EE.UU., es todo lo que ven, ven a la gente como una molestia. La única cosa en la que los EEUU es bueno es en invadir otros países, esa es la única exportación que todavía tienen, la invasión.

Josh: Es la guerra que nunca termina.


Traducción Liliana Buitrago

medo, p/ ronaldo braga

TENHO UMA SENSAÇÃO, que nem sei se posso chamar de sensação, mas me parece a melhor forma de designar o que estou sentindo. Desde ontem que um frio estranho percorre o meu corpo e depois vem logo um esquentamento que parece que tudo vai explodir dentro de mim.
O mundo tem estado pesado, uma atmosfera agressiva apavora pássaros e ventos, e essa sensação estranha agoniza fatos antes relevantes e até mesmo de importância capital, ao redor olhares curiosos meditam fotos e deslizam memórias numa suposta operação de salvaguarda.
Andar tem se tornado uma tormenta, nas ruas da América Latina o medo é tolamente engraçado e as pessoas dão gritinhos histéricos quando os olhares se encontram, além da latente ordem do dia, os ombros caídos denunciam a humilhante derrota popular, o povo aos poucos toma con/ciencia de sua nenhuma importância, e fundamentalmente de sua covardia e cabisbaixo ensaia um sorriso de deus sabe o que faz, e lamenta o dia pesado e cansativo. Uma única América miserável se forma e o sonho é um pesadelo real nesta sofrida terra de povos antigos e agora não mais guerreiros.
A sensação de inutilidade passeia pelo meu corpo enquanto que o frio e o calor intenso se revezam, são exatamente 15 horas de uma tarde poeirenta, de ventos e chuvas fortes, e eu sei dos vulgos do norte e dos sermões papais, os jornais noticiam o encontro de um corpo de uma menina em um saco num congelador de uma igreja evangélica, desligo os jornais e a chuva em minha frente é noticia ruim de um encontro perdido.


ronaldo braga.