terça-feira, 22 de novembro de 2011

AURORA BOREAL, por Ylo Barroso.

Um velho alquimista em seu barco,
ele nunca pescou.
Olhos postos no céu,
traz n’alma o espelho
-libélula, ela, esse elo
iriado e boreal.
Real aqui, lá ela
é sal da intempérie magnética
em pleno mar abismal
e vai, nos vaus
celestes,
nas hermas d’estelas, Hermes
prestes
a alar-se
(lés- nordeste ou oés-sudoeste
estou, tudo movendo-
se) e senda sendo
deste êxtase,
redigia o pobre velho
equilibrando-se, ponto,
no pequeno bote.
Mariposa-psique pungente e penugenta,
sexoroboros,
larva do ovo cósmico
cá embaixo, refletindo
no lago, onde se anima,
como em cima
scribit tabula smaragdina.
E o filósofo persigna
-se enquanto pensa:
quando a ninfa abandona a exúvia,
eis a aurora boreal. Um dia
também meu tegumento
ao lodo será fermento, a alma
libérrima, ela, esse elo,
ao céu, afinal.
E escreve mais uma vez
the scientist writes a letter:
juntasse milhão de vagalumes
num domo, afugentado o mal,
jamais alcançaria o gume
que transparece n’aurora boreal,
jamais atingiria o nume
da bruta flor em límpido fanal.
Jamais a mariposa hirsuta,
o cândido e vago lume, a tal
tênue flâmula, jamais.

Ylo Barroso.

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